segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Nós

O que temos, o que somos um para o outro, realmente não tem nome, nem nunca terá. Talvez por isso nunca nos chamássemos por apelidos nem por nada, só nossos corpos se chamam, nossas mentes se atraem e nossas risadas se juntam. Não há termo conhecido que nos definida, nem espaço-tempo que nos encarcera. Já nos conhecíamos antes de nos vermos através da vida. E ávida só espera o destino e a esquina dobrada pra nos juntar, mas juntar desse jeito displicente só nosso, onde estamos sempre juntos, mas sabemos ser sós e somos únicos, mas nunca o mesmo. Eu sou e eu, você e você e juntos formamos a terceira e linda entidade: o nós. Aliás, talvez esse seja o único vocábulo a nos definir: o nós, que só existe quando juntos, mesmo sabendo que estamos junto mesmo que só em pensamento. Somos nós, mesmo quando estamos sós, dentro dos recônditos, mas estranhos que temos, pois de mim ninguém viu minha loucura tão de perto quanto você e dela não correu, ao contrário se comoveu, se viu nela e a ela se juntou sem medo e sem senãos. Assim como me junto a sua, pedindo que você não seja nada além de você mesmo.




 

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Calma e fogo

Homens quase sempre me surgiram quando e onde eu menos procurava. Assim, findo aquele período romântico, meio bobo, e cor-de-rosa da adolescência, de forma inconsciente parei de procura o príncipe encantado ou a alma gêmea. Às vezes deliberadamente escolhia meus botes, outras eles me escolhiam, mas eu não estava ali à caça, no entanto o poder, a escolha o sim ou o não era sempre o meu.
Tudo diferente do que ensino às minhas amiguinhas, mas é que eles estão sempre às espreitas. Percebo que a cada rapaz que a olha ou a tira para dançar um suspiro mal-abafado no inconsciente: será que esse? E elas se entregam ao devaneio. Talvez já imaginem o dia seguinte, o próximo telefonema, o desenrolar do romance. Eu não imagino nada. Num primeiro momento ele só me tirou pra dançar, tento ser simpática sendo...eu mesma. Tenho horror de um homem se apaixonar pelo personagem, não por mim.
Não sou linda, homens não caem aos meus pés a cada esquina, mas também não faltam. E às vezes também não faltam interessantes mulheres. Mas voltemos aos homens, pouco me importam se são muito belos, beleza é belo cartão de visita e só. O que me cativou desde sempre foi inteligência, senso de humor e a famosa pegada (e essa identifico a quilômetros, pelo cheiro) o resto vem com o tempo.
Por isso também não consigo entender quem ama em um mês. Demoro alguns meses pra amar, algumas semanas para me apaixonar. Essas coisas para mim requerem intimidade, longas conversas, se possível algumas boas horas de cama, conhecer os amigos, saber como ele se desenvolve entre as outras pessoas. Alguns caras são perfeitos e galantes personagens com a gente num jantar e uns grossos com a mãe, o colega de trabalho, a irmã. Não me apaixonaria por um tipo desses.
Também preciso de um mínimo de afinidades em comum, e não possuo lista fechada delas. Cada pessoa traz ao meu mundo novas particularidades e desafios, coisas para eu aprender e me adaptar também, e isso novamente requer um mínimo de tempo. Tempo que também não tem pré-determinação, depende do grau de abertura e sinceridade das partes envolvidas.
O que digo aqui não é receita de relacionamento, é como me sinto. Preciso do tempo mais a faísca que explode no primeiro encontro, aquela faísca inexplicável que a sorte ou o destino explicável e está na pele, na química. Já me disseram, e eu acredito, que se não acontecer nos primeiros encontros não acontece mais. Então na verdade é isso: um combinando de sorte e paciência que vai ser infinito e belo enquanto durar. E eu já acho isso um final bem feliz, mesmo que no final doa um pouquinho porque eu aprendi que a gente sobrevive e outros virão. Então sou assim calma e com fogo na alma, estranha e inóspita mistura.



terça-feira, 27 de outubro de 2009

Sapo

Acho que não saberia mais amar sem ser plenamente livre. Não posso mais me sentir presa a convenções morais ou sociais, embora às vezes ainda me bata uma sensação de querer ser a única eternamente. Mas de repente caio em mim e sei que não aguentaria que ele fosse sempre o único, mesmo sabendo que amar só amo a ele e sei que ele não pode ter o mesmo sempre, que logo se enjoaria, mesmo que fosse a melhor iguaria do mundo.
Amaremos-nos assim, para sempre (ou seja, o sempre enquanto der) desse jeito livre e libertino de que somos feitos, perfeitos um para o outro. Porque de uma forma estranha sei que ele pode gostar e desejar outras pessoas e eu também, mas nossos olhos não brilharão para ninguém do jeito que brilham um para o outro, principalmente depois das últimas conversas.
E ele desperta em mim tudo que eu sou ao mesmo temo, a mãe, a mulher maternal que cuida, a puta, a santa, a fiel, a amante, a esposa, a amiga, a ouvinte, a aventureira e a farrista, todas as minhas personagens e facetas ele conhece e não se assusta, ao contrário, parece cada vez mais se divertir. Diverte-se até com meu mau humor e azedume característicos, aliás, só ele é capaz de entendê-los e fazê-los sumir com uma piadinha muito besta ou uma música cantada junto, mas eu só notei isso convivendo aos poucos, só notei que a mágica acontecia depois de muito tempo.
Se fosse par acreditar em alma gêmea seria ele, se eu realmente acreditasse nisso, se eu deixasse o lado romântico tolo tomar conta. Mas acho mulheres românticas meio tolas, adolescentes que não cresceram e ficam esperando príncipes encantados, e existem sapos, bons e lindos sapos imperfeitos como ele. E mesmo assim somos felizes. Sou a princesa dona do meu castelo e me salvo sozinha. Meu sapo canta para mim e me faz feliz enquanto for possível. Este é o verdadeiro conto de fadas.


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

My gift

Queria saber fazer declarações de amor, daquelas lindíssimas de palavras que parecem cantadas e as pessoas adoram ficar replicando por aí por e-mail ( no mundo moderno é assim, antes eu me lembro que eu tinha um caderno de poemas, e anotava esses especiais). Queria saber fazer grandes surpresas quando você chegasse, naquelas das datas especiais. Fazer cartazes, cartões, colagens, rosas pelo quarto e sempre, sempre, lindos poemas daqueles que seriam entoados anos depois, como mantras. Mas a verdade é que não tenho paciência para nada disso, sou um tanto preguiçosa e desorganizada, mas você foi o único que realmente me deu vontade de fazer todas essa coisas. E foi acontecendo assim, sem exigências ou pressões para que eu fosse diferente de mim. Tá eu não vou fingir que não noto que você não gosta, fica meio decepcionado, quando não acompanho seu raciocínio rápido em coisas que não sei, acho que secretamente você desejava que neste caso eu compartilhasse do seu mundo mais um pouco, por outro lado te divirto com minhas lerdezas. E foi só você que deixei me abraçar molhado, e foi só pra você que guardei os melhores pedaços do chocolate. E foi de você que tive os melhores e mais inesperados presentes, e chamo de presentes o colo, o sorriso, o apoio a compreensão em momentos difíceis. Mesmo estando longe, você nunca deixou de cuidar de mim. Ainda me lembro de dormir chorando e acordar com você me olhando, um dos momentos mais tocantes da minha vida. E é por isso que acho que rosas, cartões e presentes representariam pouco diante do que quero lhe dar. Melhor dar sorrisos, carinhos, apoio em seus projetos, compreensão. Acreditar sempre no quanto você é uma pessoa especial, um profissional inteligente e incrível e um homem maravilhoso, e lhe dizer isso com palavras e olhares e carinhos, sempre que possível. Melhor que qualquer poema é aquilo que só você pode ver nos meus olhos e no meu sorriso. Te amo.


terça-feira, 20 de outubro de 2009

Talhada para a coisa

Amor e sexo. Nunca achei assuntos tabus. Quando descobri os assuntos nos livros minha Barbie já ficava pelada com aquele tradinho do Ken (que eu sempre achei pouco másculo) e como eu não sabia muito bem como fazer ela ficava deitada de bundinha pra cima! É; eu já tinha uma visão algo incomum das coisas.

Logo depois descobri o chuveiro do banheiro e ...que delícia! Eu ficava tonta com aquilo, óbvio que não sabia que estava gozando, mas amava a sensação. Quando o primeiro namoradinho botou a mão na bunda, por cima dos shorts de vôlei eu adorei, mas não podia deixar perceber tanto assim, né? E começou o jogo de deixa e tira essa mão daí, que me dava arrepios! Nessa época eu já não precisava do chuveirinho, já tinha descoberto os dedinhos e os sonhos eróticos. Acho que muito apimentados pra pouca idade, uns 14 anos, mas sexo mesmo, só fui descobrir já grandinha, lá pelos 20. Antes eu morria de medo do meu pai.

Aos 16 tirava uns sarros deliciosos com um namorado e foi o primeiro pau que vi, e achei lindo, não tive nojo, e foi a primeira vez que fiz alguém gozar, batendo uma punheta. Resolvemos não transar o pai dele arrumou outro emprego e ia se mudar da cidade; estávamos muito apaixonados e tivemos medo de sofrer mais ainda. Então o tal moço só chegou aos 20, antes eu estava muito envolvida com vestibular e, acreditem ou não, passei por uma fase de timidez. Mas o tal moço é história pra outro post.

O que quero dizer é que acho que fui talhada par coisa, gosto de sexo desde sempre e ao contrário da maioria das mulheres, separo sexo de amor. Mas óbvio que prefiro sexo com amor, simplesmente porque é muito melhor. Mas também já aprendi faz muito tempo a não usar o sexo como forma de ganhar atenção, amor e carinho dos homens. Sexo é sexo, e pronto. Um ou outro pode se apaixonar por você, mas não foi pelo sexo, e sim por um conjunto de fatores e principalmente por quem você é. Conquistá-los com sexo vale par uma noite e só. Adoro sexo, tanto quanto os homens, mas o que é meu não divido com qualquer um fui aprendendo ...mas minhas fantasias faço questão de vivê-las, sempre que posso, mas só com quem merece. Mas sei que fui mesmo talhada para coisa.

Meu nome é um nome

Analisando o impacto que alguns livros tiveram em minha vida é que decidi adotar o nome, em homenagem a ótima e bela escritora Anaïs Nin. Tive contato com suas obras pela primeira vez há muitos anos atrás e pude me entender melhor pelas palavras ali escritas. A intenção deste pequeno diário virtual, que vai misturar lembranças, presente e passado, ficção e realidade, eu e outras pessoas. Observações sobre eu mesma e os que me rodeiam é falar de amor e sexo como o que realmente são: temas corriqueiros da vida, e não mistérios intransponíveis e proibidos; nem tampouco tesouros desejados reservados alguns poucos abençoados. Quanto a mim, basta saber que sou uma balzaquiana, passados os 30 e poucos anos, e só.